 | Cão vivo e amarrado é usado como isca para atrair Onça-Pintada |  |
| Administrador AB 8/1/2007 | A comunidade sul-mato-grossense assistiu estarrecida ao noticiário da TV Morena na noite de quarta-feira (dia 19), quando a equipe de reportagem mostrou uma onça-pintada, encontrada no perímetro urbano da cidade de Corumbá, comendo um cão que fora colocado VIVO E AMARRADO como "isca". Após a apresentação do noticiário, inúmeras denúncias foram feitas ao Abrigo dos Bichos informando que a "isca" era "cortesia" do CCZ local. Deveras difícil acreditar que tal coisa ainda aconteça nos dias de hoje, haja vista a clara legislação em favor dos direitos da vida animal e da decência humana. Apenas para rememorar à população e às autoridades envolvidas na operação, lembramos que a Lei de Crimes Ambientais nº 9.605/98 define em seu Art. 32 que "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos" é apenado com detenção, de três meses a um ano, e multa. E no seu § 2º, que "a pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre a morte do animal". Segundo o Art. 1º. do Decreto nº. 24.645/34, "todos os animais existentes no País são tutelados ao Estado" além de nossa Carta Magna, a Constituição Federal, no Art. 225, VII, incumbir ao Poder Público "proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade". Aos olhos de qualquer cidadão honrado e cumpridor de seus direitos e deveres cívicos, colocar um animal vivo e amarrado para servir de isca para um predador do porte de uma onça-pintada, maior predador terrestre do Brasil, indubitavelmente, é um imensurável ato de crueldade. Entretanto, não é apenas o fato de se colocar um animal doméstico como "isca" que preocupa o Abrigo dos Bichos, mas também o futuro do felídeo (macho) capturado. Isso porque foram divulgadas informações que o mesmo está sendo encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres - CRAS, em Campo Grande, que todos sabem não possuir, no momento, condições de tal acolhimento, justamente devido a super lotação de onças. Também nos preocupa a posterior soltura deste animal, já que, provavelmente, não existe em todo o Estado um resquício de ambiente natural com tamanho adequado que sirva de reserva ecológica capaz de atender às necessidades de grandes felídeos sem que eles adentrem áreas habitadas por humanos. Mato Grosso do Sul, detentor da segunda maior população de onças do País, é um Estado de grandes extensões territoriais e já deveria contar com uma reserva ecológica e pessoal treinado para a captura de grandes felídeos objetivando preservar espécimes em extinção - a exemplo da onça-pintada - e a vida da população, já que o crescimento descontrolado das cidades leva à degradação do ambiente natural e, conseqüentemente, coloca a vida da população em risco pela presença desses animais em perímetro urbano. O Abrigo dos Bichos tem se empenhado em promover a harmoniosa convivência Homem x Animal, buscando sempre o respeito à vida e à dignidade animal. Desta forma, entendendo que a população humana não deve correr riscos e que a captura dos animais deve ser realizada com a máxima urgência e com todos os cuidados necessários, acreditamos que ações como as que têm acontecido não só atentam contra a legislação vigente, mas também contra o árduo trabalho desenvolvido pela entidade na tentativa da conscientização da população e de fazer valer os direitos dos animais. Maria Lúcia Metello Presidente da Sociedade de Proteção e Bem-Estar Animal Abrigo dos Bichos |
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