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Publicada em 18/1/2007
Cidade
Sacrifício animal
Direção da SPPA denuncia ao MP matança de cães e gatos na cidade e sugere castração em massa
LUCIANA CARNEVALE
Sob nova direção desde novembro do ano passado, a Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais (SPPA) se vê diante do maior desafio da história da
entidade: fazer valer o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado entre o órgão, a Prefeitura e a Promotoria do Meio Ambiente. O documento, que vale
como lei e ainda não saiu do papel, prevê a interrupção da captura de animais sadios, entre cães, gatos e cavalos, em parques, praças e quaisquer outros espaços públicos.
Em entrevista exclusiva à Gazeta, a presidente da Sociedade, Sílvia Aparecida Marchezoni, e a vice-presidente, Maria Cristina Dal Pozzo Arzolla,
denunciam que dos 40 mil animais existentes na cidade, cerca de 15 mil estariam abandonados. Por ano, ainda segundo a diretoria da SPPA, são sacrificados aproximadamente 1,6 mil animais.
"A situação é gritante e gravíssima, muito diferente da de outros municípios, como Taboão da Serra, Botucatu, entre outros, que adotaram o programa 'Cão Cidadão', elogiado, inclusive, pela Organização Mundial de
Saúde (OMS)", observa Cristina.
Além das capturas e das mortes supostamente sem sentido - alguns animais teriam sido vitimados apenas porque apresentavam pulgas na pelagem -, o
Canil, ligado ao Centro de Controle de Zoonoses e monitorado pela Secretaria Municipal de Saúde, estaria sacrificando os animais 10 dias após a captura.
O quadro torna-se ainda mais complexo, de acordo com a direção da SPPA, porque, após dois meses da entrega do projeto de cooperação técnica delineado pela entidade, que prevê, entre outras mudanças, a castração em massa e o atendimento veterinário gratuito, além da criação do Lar Transitório para abrigar animais, quase nada mudou.
O projeto técnico foi sugerido pela promotoria, durante a elaboração do Termo de Conduta.
Num dos trechos do relato enviado ao promotor Fábio Sallem de Carvalho no último dia 28 de dezembro que cobra providências urgentes e efetivas para
que o TAC seja regulamentado, Sílvia e Cristina argumentam que, 'até o momento, não houve nenhuma resposta ao assunto que polariza a atenção não só
dos membros da SPPA, como da própria comunidade'.
Boletim de Ocorrência
No ofício remetido a Sallem de Carvalho em dezembro, a SPPA conta, em detalhes, o que teria acontecido com uma piracicabana que reside no bairro Maracanã em novembro.
"Para Vossa Senhoria ter idéia do que ocorre na cidade, houve o registro de um Boletim de Ocorrência no 6° DP. Essa piracicabana possui duas gatas siamesas, castradas, que teriam sido apreendidas. Os proprietários de
animais estariam sendo obrigados a assinar uma declaração de propriedade de animal, no Centro de Zoonoses, para retirá-los do Canil. Aonde vamos parar?", questiona o documento.
Além do descaso do poder público, a Sociedade Protetora dos Animais lamenta que muitas pessoas ainda resistam à convivência pacífica com os animais.
"Infelizmente, durante a época de festas e neste início de ano, os casos de abandono de animais, são ainda mais freqüentes em Piracicaba", afirma Sílvia.
O índice de aumento, nesse período, supera 50%, no comparativo com outros meses do ano. Há casos de abandono de cães e gatos, inclusive de raça, em
repúblicas de estudantes e até por pessoas que soltam ninhadas inteiras nas ruas", revela.
A SPPA quer que os animais sejam tratados com respeito tanto pela administração quanto pelos piracicabanos.
"Queremos saber porque o MP ainda não agiu. Pela ótica da saúde pública, por outro lado, a salvaguarda dos animais não seria importante", reitera.
O secretário municipal de Saúde, Fernando Cárdenas, discorda dos questionamentos e afirma que a pasta está realizando todos os procedimentos planejados e que não há sacrifícios ou mortandade de animais. "Se houver
outra determinação judicial, a Prefeitura vai acatar com rigor", salienta.
A Gazeta entrou em contato com o procurador do Meio Ambiente, Fábio Sallem de Carvalho, e, soube, por meio de sua assessoria, que quaisquer questões formuladas pela imprensa seriam respondidas via fax.
O procedimento foi seguido à risca, mas, até o fechamento desta edição, não houve a resposta do Ministério Público `às indagações.