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 Forum >> Caça a Animais >> Puxe o gatilho e salve animais. IRONIA ?
Puxe o gatilho e salve animais. IRONIA ?Responder sobre Puxe o gatilho e salve animais. IRONIA ?
Administrador AB
23/2/2007
Puxe o gatilho e salve animais

Parece um contra-senso. Mas a caça esportiva na África ajuda a financiar projetos de conservação de espécies ameaçadas. E os ambientalistas apóiam

Bob Holmes
Com Luciana Vicáia Copyright New Scientist

Imagine a preservação do meio ambiente como um tripé. Você precisa da vida selvagem, de pessoas comprometidas a conservá-la... E você precisa de caçadores dispostos a matar animais. "Quando uma dessas pernas não existe, a coisa toda desmancha", diz Joe Hosmer, vice-presidente do Clube Internacional de Safári, um grupo de defesa da caça com base em Tucson, no Arizona. Uma das maneiras de salvar animais selvagens, dizem os defensores da caça, é caçá-los. Ou, mais precisamente, extorquir os caçadores mais ricos para dar-lhes o privilégio de atirar em poucos animais.

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É O PREÇO
Contador americano, Ed Yates, de férias na África, mira um elefante. Safáris sustentam a conservação

O mais surpreendente é que muitos biólogos conservacionistas vêem a caça como parceira. A caça pode ser uma força positiva, dizem os ambientalistas, porque ela provê um motivo econômico para manter os hábitats selvagens. "Sem caça muitas dessas áreas poderiam ser convertidas em pasto para bois", afirma Peter Lindsey, um biólogo conservacionista da Universidade do Zimbábue, em Harare, autor de uma pesquisa sobre o mérito da caça na África.

"De modo geral, falar sobre o safári de caça torna o lugar não apropriado para a agricultura", diz Will Travers, da Fundação Born Free, um grupo de conservação com sede na Inglaterra. O safári de caça é uma indústria crescente no sul e no leste da África. Na Ásia, pagam-se mais de US$ 30 mil pela caça de argalis, um carneiro raro de montanha. Em Alberta, no Canadá, paga-se US$ 1 milhão por exemplar de carneiro silvestre. "Os caçadores estão dispostos a gastar muito. E isso pode ser uma enorme força de conservação", diz Marco Festa-Bianchet, um biólogo da Universidade de Sherbrooke, em Quebec, no Canadá.

O turismo fotográfico é outra importante fonte de renda que surge a partir da vida selvagem. O Quênia, que não permite safári de caça, estima que o turismo tenha gerado US$ 840 milhões em 2006, diz Travers. Mas a caça atrai visitantes para lugares com menos beleza cênica. A África do Sul fatura US$ 100 milhões por ano com caça esportiva.

A maior parte dos conservacionistas não acredita que os caçadores vão matar tantos animais a ponto de colocar a espécie em risco de extinção. Isso porque, além de a caça ser controlada, os atiradores têm como principal alvo os machos. Pelo menos na teoria, a reprodução da espécie pode não ser afetada. Basta que restem machos suficientes para fertilizar todas as fêmeas do local.

O problema é que nem sempre os organizadores das caçadas mantêm vínculos com a área que exploram. "É um negócio. Em algum momento, os interesses do empresário podem não coincidir com os benefícios da conservação", diz Festa-Bianchet. "E, se você supôs que está sobrando dinheiro para a conservação, não é bem assim", afirma Rich Harris, biólogo especialista em vida selvagem, afiliado à Universidade de Montana, em Missoula.

Além disso, licenças de caça são oferecidas em relativamente pouco tempo. "Consegui a minha em menos de três anos, e ainda tive desconto porque, em vez de um, capturei dois animais", diz o gaúcho Max Becker. Ele expõe em sua casa colonial, em Bento Gonçalves, dois alces empalhados que caçou no Zimbábue. Afirma que o preço por animal fica menor quando o caçador sai da área de caça com mais de um troféu.

Ainda que aparentemente sustentáveis, as cotas de caça podem ocultar perigos para as espécies. Mesmo quando a caça é manejada de forma cuidadosa, ela pode causar danos genéticos nos animais que sobrevivem. Os grandes chifres de alce e as presas de elefante, que tornam os animais mais atrativos para os caçadores, evoluíram como sinais que ajudam as fêmeas a selecionar os melhores parceiros. Significa que os caçadores estão eliminando os melhores exemplares. E as gerações futuras herdam as características dos menos dotados. Entre os carneiros de Alberta, no Canadá, a pressão da caçada tem diminuído o tamanho dos chifres dos machos. O mesmo tipo de pressão levou a um número crescente de elefantes sem presas na África e na Ásia.

Removendo os machos dominantes, os caçadores também podem aumentar a taxa de substituição dos líderes. Isso pode ser um sério problema em espécies como o leão, na qual os machos que ganham a liderança de um grupo matam os filhotes deixados pelo macho anterior. Toda vez que um líder é morto pelos caçadores, todos os filhotes podem ser perdidos também, diz Andrew Loveridge, biólogo da Universidade de Oxford.

Mas não adianta manter parques protegidos e praticar a caça ostensiva em seus arredores. De acordo com Loveridge, os animais acabam sendo atraídos para fora. Uma forte pressão da caça em safáris fora do Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue, por exemplo, levou à perda de 72% dos leões adultos rastreados nos últimos cinco anos, de acordo com um estudo publicado neste mês na revista científica Biological Conservation. A maior parte desses machos foi substituída por leões do parque, diminuindo o número de animais da área conservada. Eventualmente, porém, esse fenômeno pode beneficiar a vida selvagem. Em Alberta, por exemplo, alguns carneiros se abrigam nos Parques Nacionais de Banff e Jasper durante a temporada de caça. Depois que ela acaba, eles deixam os limites dos parques para acasalar.

Os empresários da vida selvagem sabem que correm o risco de ficar sem presas. No Zimbábue, cotas para a caçada de leões têm sido cortadas em 50% nos últimos dois anos para prevenir os excessos. "Além disso, o preço da caça ao leão está cada vez mais alto", diz Lindsey. "Excelente para os conservacionistas, porque nós queremos ver o menor número de animais removidos pelo maior preço." Apesar de seus problemas, a caça controlada é melhor que a clandestina. E sempre melhor do que ver o hábitat selvagem ser transformado em pastagem.


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