Prefeito Fogaça promete posicionamente sobre FIM DAS CARROÇAS em Porto Alegre/RS até março de 2007
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 4 DE FEVEREIRO DE 2007
Proposta é retirar a tração animal em 8 anos
Os vereadores Sebastião Melo e Adeli Sell representam, na Câmara Municipal de Porto Alegre, a proposta de promover o fim gradativo da presença das carroças no Centro em oito anos e a instalação, em projeto piloto, de contêineres para a coleta seletiva do lixo. A iniciativa, de autoria de Melo, já chegou ao prefeito José Fogaça, que prometeu se posicionar até março sobre o assunto. Os vereadores aguardam a afirmação de que a prefeitura garantirá renda e trabalho a carroceiros e carrinheiros. Adeli Sell disse que a situação atual é incompatível com o trânsito, com os animais e com os próprios trabalhadores. 'Ou solucionamos o problema, ou afundaremos com ele', lamenta.
Entidades de proteção animal, como o movimento Carroças Têm Solução, acusam que muitos catadores maltratam os cavalos. O diretor de Trânsito e Circulação da EPTC, José Govinatzki, ressaltou que a EPTC tem recolhido cavalos, dado tratamento e leiloado para pessoas que se comprometem a cuidar dos mesmos. Segundo Govinatzki, outro problema é que muitos carroceiros não respeitam a lei de trânsito.
Um dos coordenadores do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Alex Cardoso, disse que o problema está nos carroceiros que não são filiados. 'Do total de 8 mil que circulam em Porto Alegre, apenas 1,2 mil estão organizados', apontou. O diretor do Hospital das Clínicas Veterinárias da Ufrgs, professor Carlos Afonso Beck, contou que atende freqüentemente animais de carroceiros. No mínimo, três cavalos por dia. 'Geralmente quem procura é quem não maltrata', apontou.
Correio do Povo
Porto Alegre - RS - Brasil
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 4 DE FEVEREIRO DE 2007
Há alternativa para os carroceiros
Poderiam operar junto aos 14 centros de coleta de lixo dos bairros, segundo estudo da prefeitura
Os 8 mil carroceiros recolhem 60 toneladas por dia
Maurício Boff
A prefeitura de Porto Alegre deverá apresentar nos próximos dias as linhas gerais de um plano alternativo para carroceiros e carrinheiros (catadores com carrinhos de mão) que recolhem lixo seco na cidade. O Executivo não revelou o conteúdo da ação, mas reuniões freqüentes têm ocorrido entre um grupo de trabalho composto por secretarias, como Governança e Gestão, e autarquias, como Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). A próxima reunião está prevista para quarta-feira.
A proposta deve ser pela retirada gradual de carroceiros e carrinheiros da área central, com recolhimento e separação do lixo apenas nos galpões de reciclagem. Segundo o DMLU, existem 14 centros de coleta em bairros periféricos da Capital. O prefeito José Fogaça deixou claro que deseja uma solução para o caso ainda em 2007.
Das 200 toneladas de lixo reciclável recolhidas por dia em Porto Alegre, 60 toneladas correspondem ao trabalho dos cerca de 8 mil carroceiros e 6 mil carrinheiros. Desde julho, a prefeitura fornece ajuda de custo para a manutenção dos galpões de reciclagem. Isso aponta para um entendimento de que essa atividade é importante para a cidade, conforme o professor do Centro de Educação Popular, Leonardo Toss, que trabalha com catadores. 'Eles fazem parte do sistema de coleta de lixo porque contribuem para diminuir o que vai para os aterros sanitários', disse.
Como trabalham principalmente no início da manhã e nos finais de tarde, quando o lixo seco é depositado nas calçadas, estabelecem uma competição com os garis do DMLU. Além disso, perturbam o trânsito, provocando polêmica entre motoristas, entidades protetoras dos animais, sociedade civil, prefeitura e associações em defesa dos carroceiros e carrinheiros. A queixa dos motoristas é de que eles não respeitam regras de trânsito, além da falta de cuidado com os cavalos.
O vereador Sebastião Melo, do PMDB, revelou que a prefeitura estaria em fase avançada para construir um galpão de triagem ao lado da ponte que liga Guaíba a Porto Alegre. 'É uma alternativa para o catador que vem das ilhas, mas não oferece solução a quem vem do Partenon e de outros bairros', disse. Um dos coordenadores do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Alex Cardoso, disse que a idéia é antiga, mas que a prefeitura debate uma ação mais ampla. Com os resíduos nos galpões, o trabalhador iria a locais fixos para fazer a separação, evitando o Centro. Cardoso ressaltou que o movimento defende o recolhimento, por eles mesmos, do lixo reciclável das ruas. A coordenadora-geral da Federação das Associações de Reciclagem do RS, Beatriz Aguiar da Silva, ressaltou que o catador recebe em torno de R$ 10,00 por dia. 'O novo formato da prefeitura não pode onerar o trabalhador.'
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