O espancamento de animais faz parte de um brutal jogo de apostas que atrai dezenas de pessoas no município de Vale Verde, interior do Rio Grande do Sul.
O acesso à fazenda onde acontece a prática é congestionado. É lá que existe a corrida de bois de carga, uma disputa que mede a força entre touros.
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Os animais são presos à canga, uma estrutura de madeira usada para amarrar os touros que puxam os carros de boi. Vence aquele que derrubar o outro e se manter em pé por 45 segundos. Quando a prova termina, o povo comemora.
Para garantir a diversão do público, os peões batem nos animais. A pauladas, homens tentam reanimar touros que já estão caídos com lanças que têm pregos nas pontas. Pessoas que assistem ao espetáculo de horror dizem que o espancamento já foi até mais cruel.
Feridos e sangrando, os animais não resistem e perdem a disputa. Enquanto isso, os jogadores recebem o dinheiro que apostaram no touro vencedor. Toda a movimentação acontece na propriedade da família do prefeito de Vale Verde, Emir Rosa da Silva, que confirma a participação na corrida dos bois de canga.
“Eu vou quando dá tempo e quando a gente tem disponibilidade de horário. Não tem nada de agenda. A gente vai lá assistir... Nessas medidas de força, eu não notei, assim, que houve maus tratos aos animais”, afirmou o prefeito.
A promotora de justiça, Andrea Almeida Barros, assistiu às imagens das agressões e disse que vai apurar a prática de jogos de azar e a participação do prefeito nas disputas. Os envolvidos devem responder por crime ambiental.
“A própria aposta já é contravenção penal. Pode ser considerado jogo de azar. Os maus tratos estão visíveis e, aí, o crime ambiental está bem confirmado, bem configurado com essas imagens”, disse a promotora.