Minamar Junior
| | Rinha foi descoberta no domingo passado, no bairro Paulo Coelho Machado | |
A rinha de galos desativada domingo em Campo Grande funcionava há mais de 20 anos, segundo uma testemunha revelou ao delegado titular da Decat (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e ao Turista), Nilson Tobias. Mais de seis pessoas já prestaram depoimento no inquérito policial aberto a partir da prisão de quatro envolvidos. “Vem muito carrão. Quem mexe com isso é gente grande” confirma um morador do Bairro Paulo Coelho Machado que sabia da existência da exploração dos jogos, assim como outras pessoas, que não quiseram revelar os nomes. De acordo com o delegado, a declaração de outra testemunha reforça o que documentos apreendidos no local apontavam. Um estatuto da Urca (União dos Representantes e Criadores Avícolas), proprietária do barracão onde era mantida a rinha no Bairro Coelho Machado, era datado de 1995. Galeria de fotos A polícia também apura quantos sócios a Urca conseguiu angariar ao longo dos anos. Informações desencontradas indicam que desde a primeira formação, o grupo teria 200 sócios. No entanto, os quatro presos na noite de domingo alegam que existe apenas 30 pessoas filiadas. Após a prisão dos quatro, feita pela PMA (Polícia Militar Ambiental), a Decat passou a investigar o caso. O delegado deparou-se com uma estrutura extremamente organizada, que contava com três arenas e painéis para apostas de jogos. Centenas - Como no local a PMA apreendeu apenas 19 galos, o delegado suspeitou que poderia haver mais animais em outros locais. Em buscas pelo bairro Paulo Coelho Machado, a polícia encontrou mais 430 galos em três chácaras. Os animais eram criados e treinados para abastecer o esquema. Conforme Tobias, os galos foram apreendidos e ficaram nas propriedades, cujos donos serão fiéis depositários dos bichos. Ele explica que os galos não foram levados do local porque não existe estrutura para manter as aves em gaiolas separadas, na delegacia. Entretanto, ele assegura que caso eles sejam usados novamente para a exploração dos jogos, os donos das propriedades serão presos. "Eles serão intimados a prestar depoimentos e serão responsabilizados pelo crime ambiental", segundo o delegado. Durante a operação realizada na noite de domingo, foram presos: Roberto Carmo de Oliveira, 33 anos, Lício Aparecido Chueriy, 40 anos, Altivo Pires Pinheiro, 56 anos e Plínio Roberto Gomes, 66 anos. Rinha de galos é crime de maus tratos previsto na Lei 9.605. A PMA multou cada um em R$ 2 mil mais R$ 200 por galos.
Em entrevista ao Campo Grande News, o caseiro de uma das chácaras onde a polícia encontrou a criação de galos afirma que trabalha no local há dois anos. No entanto, nega que os animais eram destinados à rinha. Ele diz apenas que trata dos galos, mas admite que "alguns têm potencial para a briga". O caseiro revela ainda que tem galo que chega a ser comercializado por R$ 5 mil. O caseiro explica que já trabalhou na propriedade em outra ocasião e que a rinha era mantida no galpão próximo da chácara há pelo menos dez anos. |