04/08/2008
Cinomose pode ser transmitida no momento da vacinação contra raiva
A contaminação do frasco da vacina anti-rábica por parte do
administrador da dose, que pode ter utilizado a mesma agulha para mais
de um animal, pode ser um meio pelo qual cães têm contraído a doença
infecto contagiosa Cinomose.
Segundo o médico veterinário Paulo Eduardo da Cunha, a doença demora
cerca de 15 dias para se manifestar. Ele afirma que na sua clínica, em
Vila Velha, já foram registrados no mês de julho, mais de 20 caninos
com a doença.
Paulo explica que depois das campanhas nota-se um aumento no número de
casos, mas desta vez a contaminação está exagerada: "Atendi a um
chamado em uma residência em que pelo menos quatro cachorros estavam
contaminados" .
Ele pondera que pode ter acontecido um possível erro na administração
da dose em animais durante a campanha de vacinação contra raiva. "A
pessoa usa a agulha em um animal e aí leva a agulha para dentro do
frasco novamente. As pessoas erram. Aí trocam só depois, mas já
contaminou e não adianta mais". Ele acrescenta ainda que a Cinomose é
transmitida por vírus, quando da aglomeração de cães na hora da
aplicação.
Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Vacinação Anti-Rábica,
Joaquina Pezzopane, a campanha visa bloquear o sorotipo e não uma
contaminação cruzada. Joaquina destaca que as equipes em cada
município é treinada por um médico veterinário. Todos desempenham a
atividade devidamente uniformizados e com luvas.
A coordenadora ressalta ainda que o frasco contém 25 doses a serem
aspiradas e as agulhas são individuais e descartáveis: "É uma agulha
para cada animal, depois de feita a dosagem seringa e agulha são
descartadas e o frasco volta para caixa térmica".
DOENÇA. O principal é que o dono do animal observe como o cão está
sendo vacinado. Depois de infectado, o animal pode manifestar a doença
em até 15 dias. Aumento da temperatura, conjuntivite ou corrimento
nasal são os principais sintomas iniciais. Segundo o veterinário Paulo
Eduardo, mais tarde o animal pode apresentar sintomas digestivos
(diarréia e vômito) ou nervosos (contrações involuntárias, falta de
coordenação motora ou dor de cabeça).
Paulo lembra que a doença é de difícil tratamento, dependendo quase
exclusivamente do cão e de sua capacidade de ter uma resposta
imunológica suficiente. Além de ser caro.
Sua evolução é imprevisível, ou seja, quando o cão adoece, não há como
saber se ele vai se salvar ou não, ou se sua morte vai ser rápida ou
lenta. "Em 85% dos casos o animal não sobrevive e os donos preferem
sacrificar, porque o sofrimento é muito grande. Se curado o animal
ainda permanece como portador da doença por um ano", frisa o
veterinário.
http://www.eshoje. com.br/noticia. asp?edicao= &id=1171& editoria= saude